30/08/2010

Permita-se


Permita-se andar na chuva, pisar naquela poça de lama, fazer barquinhos e deixar que a água o leve. Permita-se sair da dieta, comer aquele quilinho extra do seu prato preferido, fazer as receitinhas extremamente deliciosas que só a vovó sabia preparar.
Permita-se ficar na solidão e conhecer um pouco mais do seu eu, os seus gostos, desgostos e amores.  Permita-se a vitória, os fracassos, a derrota, a bandeira erguida. Permita-se levantar a cabeça e sorrir ou chorar tudo aquilo que o incomoda nesse exato momento.
Permita-se vestir roupas de frio quando lá fora estiver fazendo 30 graus positivamente escaldantes e fazer o contrário quando de fato estiver congelando. Permita-se a alegria das cores, o vazio do preto e branco. Permita-se aos amigos, aos namoros, ao convívio com as pessoas que gosta.
Permita-se o conselho, o perdão, a luta, os medos, as fraquezas, as loucuras, as bobagens, a aceitação, ao respeito, a compreensão, a tolerância. Permita-se as complexidades da vida, o luxo e a simplicidade idem. Permita-se observar o céu naquela noite de Lua cheia  sozinho ou acompanhado, não importa, somente a observe e deixe que seus pensamentos fluam.
Permita-se o acaso, o calculado, o pré-meditado, a sorte, o destino, o fazer acontecer.  Permita-se olhar apara trás, viver o presente e enxergar nele um pouco do futuro.
Permita-se apagar velinhas em dias fora de alguma data especial, fazer aviõezinhos  de papel, corações, estrelas, animais.  Permita-se voltar a ser criança e ser inocente outra vez. A passar a tarde inteira brincando de boneca ou de carrinho para relembrar o quão aquilo era doce e mágico.
Permita-se jogar-se na piscina mesmo estando todo arrumado para um importante compromisso. Permita-se sentir a leveza de não ter responsabilidade por trinta minutinhos que sejam. Permita-se fazer um piquenique, montar uma barraca e acampar no quintal de sua casa; sair vagando sem rumo pelas ruas em busca da reflexão. A dizer sim, a dizer não.
Permita-se tomar atitudes, ficar calado, opinar. Permita-se ter idéias tolas ou ‘as melhores’ e compartilhe-as. Tire um dia para a pintura, para a sujeira, para o autoconhecimento. Permita-se cultivar seus hobbies, sua cultura, seu modo de ser, seus valores e pensamentos. A ler, estudar outro idioma, conhecer outro habitat diferente do seu natural.
Permita-se sonhar, acreditar, crescer, pedir, beijar, fazer, amar, alcançar, buscar, ensinar e aprender, impor, imaginar, colher. Permita-se às perguntas, às soluções. Aos problemas, às soluções. Ao incompreensível, às soluções. A tão temida e tão igualmente amada: a Matemática!
Permita-se preservar o único ambiente que tem apto para você viver, fazer o bem, ajudar, receber. Permita-se a solidariedade, o compromisso, os direitos e deveres, a igualdade. Permita-se ao tudo e ao nada, ficar à toa, dormir um dia inteiro.
Permita-se contar aquela mentirinha, passar o dia no mundo do faz de conta; ao certo e às vezes também ao errado. Permita-se gritar, cantar, viver, ser feliz.
Por fim, permita-se mudar. Acrescentar, dividir, diminuir, multiplicar. Permita-se fazer de tudo um pouco e, desse pouco, sempre o melhor que puder. Esforce-se, vá em frente, prossiga! Permita-se o permitir e permitir-se.

  

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